POSTAGENS

EU SOU, VERDADE, CAMINHO, E TRANSFOMAÇÃO Sou o vento, Solto e indiscreto a bailar És o pássaro Um pássaro medroso com medo de voar Sou o pen...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A MIRABELA EM NOSSA VIDA


Para o cidadão ipiauense

Por: Lurdinha Bezerra

Todas as pessoas que conhecem Lurdinha Bezerra conhecem a artista, a professora, a fazedora de cultura ou que seja: mais uma no meio dessa família ipiauense que, certamente, como todos, contribuiu para uma Ipiaú melhor.

Ipiaú, foi motivo de gáudio para toda a geração que a construiu e com ela os nossos valores morais, culturais, religiosos... Enfim a nossa crença num futuro melhor, para nós e para a nossa geração vindoura e isso sempre foi um sentimento de orgulho de ter a certeza de estar contribuindo para uma a historia de sucesso. Porém uma vez despojados dos bens materiais, fomos aos poucos substituindo os nossos valores por sentimentos menos nobres que nos destituiu da auto-estima que nos abrigava, e com ela se foi também a dignidade. Vivemos então, a mercê dos mais possuídos que se revestem com o manto de bons samaritanos para nos favorecer com a sua aparente bondade, sugando as sobras desse miserável torrão, que esmagado pela exploração exacerbada a qual sofreu por mais de um século e que, infelizmente já não se propõe mais, sequer, a suprir as necessidades básicas dos seus milhares de famintos que nele habitam (A cesta básica da prefeitura que o diga).

O desemprego obriga seus cidadãos a ceder e a ceder... Sempre ceder. Quem, por acaso, desses necessitados de um emprego para sustentar suas famílias, não está feliz com a Mirabela? A Mirabela está ai, para restaurar a dignidade das pessoas que há muito não tinham uma carteira assinada, com um bom salário, e muitos deles que não viam uma feira de mês completa na sua casa, ou um cartão de crédito, enfim tudo que um ser digno deve ter. E para aqueles que não precisam do emprego, a cidade esta crescendo, o comércio intensifica, a educação torna-se agora uma preocupação maior. Enfim, todos ganham, menos a nossa consciência, pois no fundo ela – a consciência - sabe que estamos nos prostituindo, cedendo a nossa agonizante terra para receber em suas entranhas o ultimo golpe de misericórdia.

Nossa Mãe está à venda, ou melhor, foi vendida, pois, nada mais possuíamos para vender e poder alimentar nossos filhos ou para garantir o seu futuro. Um futuro, talvez de um titulo na faculdade para conquistar depois um bom emprego. Quem sabe na Mirabela! E será que ela estará aqui quando eles crescerem? Para quem será que os nossos filhos irão trabalhar depois da nossa terra morta? Quem ficará aqui para recolher os despojos? Os cegos estarão mais cegos, os surdos estarão mais surdos, Os falantes estarão roucos e tísicos de tanto falar, ou quem sabe, vencidos seguiram o destino dos demais e assinou a sua carteira para garantir a sua aposentadoria. E a Mirabela? Onde estará? Talvez buscando outras fontes de riquezas em paises de necessitados como o nosso de gente necessitada como a nossa, de prostitutas que venderam suas mães como nós. Estará lá, num outro terceiro mundo constituído de esfomeados, que tudo aceita por um pedaço de pão e um circo bem armado e divertido para que não sintamos a dor de uma morte lenta.

Lurdinha Bezerra

Email: lubezerra.83@hotmail.com

Read more...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Quem sou eu

NASCI ASSIM

Sou Lurdinha Bezerra, nasci em Patos na Paraíba e cheguei em Ipiaú-BA com um mês de idade.
Meu avô era tropeiro e viajava com uma tropa de animais desde o início do século passado, percorrendo os estados de Paraíba, Pernambuco e Bahia vendendo “Mangalhos” era este o nome dado a diversidade de mercadorias que levava e trazia, ficando assim, conhecido pelo nome de “Zé Magalheiro” e foi assim que ele descobriu esta comunidade, sob a denominação de Alfredo Martins. O comércio do “mangalho” foi intensificando à medida que esta região progredia, ficando ele cada vez mais tempo distante da família. Então resolveu trocar a tropa por dois caminhões, vendeu todos os bens que tinha na Paraíba e em Pernambuco e abriu aqui a primeira indústria manufatureira de calçados. Trouxe mais de cinqüenta famílias do nordeste para trabalhar aqui na região, vinte das quais trabalharam com ele na indústria. Em 1958 fechou a indústria para abrir uma Loja de couro e calçados: SAPATARIA PARAIBANA, situada à Praça Virgílio Damásio. Ficou então reconhecido pelo seu verdadeiro nome: José Sebastião de Souza.
A família veio depois, em maio de 1952 primeiro os filhos mais velhos, e quatro anos depois a esposa D. Ester e os filhos menores. Todos aqui se adaptaram, e outras gerações se seguiram.
Aqui estou, com um pouco mais de meio século, apaixonada por esta terra; a única que reconheço como minha e que se fez minha mãe e amada, pois foi aqui que aprendi a ser o que sou.

CRESCI ASSIM:

Vi Ipiaú se desenvolver, tomei banho nos rios da Água Branca e Rio das Contas, cresci escrevendo e declamando poemas, e fazendo pecinhas de teatro nas escolas. Ouvi todas as histórias e “causos” do coronelismo, das origens deste município, do Padre Fileto, de ex-escravos dos agregados - escravos brancos das fazendas de cacau -, (histórias que terão oportunidade de conhecê-las aqui nos meus contos e crônicas). Conheci figuras interessantes, que fez parte da nossa história. Presenciei as campanhas políticas de Urbano Cem Conto. Fui freqüentadora assídua do Cine Éden. Vi a primeira Igreja cair naquela enchente de 1963.
Enfim, sou uma das testemunhas desse “progresso” e Ipiaú foi de fato Município Modelo.
Mas penei muito diante do paradoxo: “Pai e coronel” era a figura representativa do latifundiário, os donos das terras.
Penei mais ainda em ter que dividir Euclides Neto: O ser humano que foi, do fazendeiro que em geral mantinha a imagem de opressor., mas preferi o primeiro, e seu lado humanitário foi comprovado pelas suas ações.
Vivi a minha vida em defesa de uma história construída com sangue, suor e muita luta em favor da justiça e da igualdade de todos os nossos conterrâneos. Não sei se consegui grande coisa, mas não me dou por vencida, pelo contrário estou em paz comigo.


O RESGATE:

A CULTURA foi o meu portão de entrada para este mundo de grandes batalhas que eu e muitos dos meus amigos enfrentamos, dentre eles: Oto Américo, Zé Américo, Albene, Janeide, Chita, Jorge Binho... e tantos que se foram, muitos que permanecem conosco e outros que foram se agregando em favor da causa. Alguns anônimos, outros bem conhecidos, porém todos eles, ainda que afastados fisicamente, continuam unidos pelo mesmo ideal.
Fui a primeira locutora de Ipiaú. A primeira voz feminina a falar na Rádio Educadora de Ipiaú, e me atrevi a denunciar as injustiças pelo bem comum. Minha língua não se calava, e por isso, estive a maior parte do tempo desempregada. Amada e ao mesmo tempo rejeitada. A heroína e a ré. A ovelha querida, mas perdida.
Fiquei sempre pelo fio da navalha, que a sociedade sabe muito bem como afiá-la e para quem apontá-la. Porém, entre estas faces antagônicas que a sociedade me doou, eu venci. Enterraram tudo que lhes desagradava e coroaram as minhas vitórias. Que confesso, foram muito poucas, dado as longas batalhas que eu e muitos dos nossos conterrâneos enfrentamos.
Acredito que mais perdas que vitórias. Pois perdemos a dignidade como artistas – não temos empregos e quase não temos trabalho nesta cidade - perdemos o Cine Éden, perdemos o rio Água Branca e estamos perdendo Rio das Contas. Perdemos o Museu, a Casa da Cultura, O Colégio Rio Novo e estamos perdendo a Fundação Hospitalar.
Enfim, estamos perdendo todos os nossos patrimônios e com eles a nossa história. Estamos realmente completos? Inteiros? Temos de fato uma identidade cultural? Acho que a perdemos também.

Lurdinha Bezerra
lubezerra.83@hotmail.com


Read more...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

CORPO,ARTE E EXPRESSÃO!

Read more...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Apresentação Google docs

RAÍZES DA ÁFRICA
Cantigas e contos e do negro Tomas

Não há dúvida, estamos no inverno. Hoje pela madrugada perturbando o silêncio da roça antes do cantar do galo que é o primeiro a anunciar o dia no terreiro, os capados do chiqueiro da lado da casa já começam a grunhir.
Um ventinho impertinente entra pelas frechas da casa e o frio aperta. Antes mesmo do amanhecer o fogo de lenha está aceso na cozinha.
Quando os ricos ainda desfrutam das suas esplendidas camas macias, o frio espanta a gente que trabalha no roçado e corre para o pé do fogão, apreciando o cheirinho do café que vai se desprendendo do vapor do coador preto e comprido que Rita escoa da chaleira para o bule.
Um barulho nos quartos do fundo ressoa, e de cá da cozinha já se espera a chegada do velho Tomás que se levanta cheio de gemidos de dores nas costas, mas com ânsias corre para se juntar ao resto da família, para esquentar o corpo da friagem.
Tia Poli de toalha no ombro, vai encher a cabaça de água que ele apara em porções com as mãos em côncavo, lavando o rosto sem deixar de gemer. Lava o rosto e vai tomar o café preto quente e gostoso, adoçado com rapadura, rapadura que ele mesmo fabrica no fundo do quintal.
O sol se levanta e o frio dá lugar a uma brisa fresca. Tia Poli vai correndo abrir as janelas e sai na varanda enrolando as redes e depois com a vassoura sai desempoando toda a casa.
No terreiro já se avista os roceiros de enxada no ombro, todos em fila cantando em direção a roça do cacau. Um canto triste e ritmado que combina com o trinar dos pássaros e o cantar das saracuras, numa percussão harmoniosa, acompanhado pelo refrão do cocoricó do galo.
Uma meninada debanda em corrida desabalada, perturba o canto, todos de vara de pescar nas mãos em direção ao rio. Corremos para a varanda a cumprimentá-los aos gritos: _”ô cumpade Geremias, bom serviço, meu cumpade” assim dizia a tia Poli, todo mundo pra ela é cumpade, é cumade.... E asssim o dia na roça começava.
Nas baixadas cantavam frangos-d’água, galinhas d’angolas,os curiós. Do pomar se ouviam os cantos dos canários, papa-capins, sanhaços, sabiás, bem-te-vis, rolinhas e tico ticos. Da grota os sons metálicos, tinindo e retinindo no martelar das arapongas.
Almoçávamos cedo, e logo depois do almoço as famílias da vizinhança se achegavam, cada uma com uma penca de filhos acaboclados, confirmando a fecundidade do matuto nordestino. Cumprimentos que se esboçam no sorriso tímido e nas pontas dos dedos, timidez que contraria o proseado alegre e sem fim na varanda com Rita e minha tia Poli, que não largavam suas costuras e se estrebuchavam em gargalhadas, furavam os dedos, chupavam o sangue e em segundos, retornavam às prosas, e a gente no meio da caboclada brincando do terreiro.
Os casos eram sobre a mulher bonita que Tião o filho do vaqueiro trouxe da cidade, muito vaidoso com a bonitona, tanto se esnobou, que acabou ela lhe plantando dois belos chifres no meio da testa, com os pescadores da fazenda vizinha e quando foi pega em situação desavisada, desapareceu pelo mato afora largando as calcinhas debaixo da mangueira, e quanto aos pescadores estes correm até hoje. Os casos das festanças da região, as mentiras de pescadores que o cabo Estrela conta e que ninguém acredita, e tem que fingir que é verdade, porque seu parabélum na cintura não permite que ninguém o desmentisse.
A tardinha, toda a caboclada de volta sumia no pé da montanha. Nunca fui até lá, mas Rita contava que volteando a montanha era a casa do seu Pereira, pai e tio daquela ninharada de filhos, tinha uma roça de cacau e um canavial de fazer gosto.
A noite era mais divertido! No cair da tarde, já começava com a viola e depois os causos de trancoso que fazia arrepiar os cabelos. Uma estória nunca se repetia; tinha de caipora, de saci, do lubisomen, da mulher de branco, sem contar das almas dos defuntos que visitavam em sonhos ou apareciam em visão, os parentes ou amigos, para desencavar ouro que eles enterraram em vida, e que alguém tinha que desenterrar, pois, só assim alma poderia ter descanso e até receber a salvação.
O velho Tomás garantia que foi desencavando um ouro ali debaixo daquela varanda que o nosso pai tinha comprado aquela terra. Essa era a única estória que ele repetia, porém a cada vez que contava, tinha uma ilustração a mais.
Meu pai era tropeiro, e viajando por aquela região, conheceu o coronel Justino um homem severo, tão severo que morreu só, nem a família quis saber dele, mas gostou do meu pai que passava de tempos em tempos, para trazer as mercadorias que o coronel precisava, para surtir o armazém. Foram muitos anos de amizade e quando o coronel se viu só e doente, mandou chamar seu amigo pra dizer que ia acabar com tudo, e não deixar nada pros seus herdeiros.
Meu pai, que ainda não era meu pai, ficou com ele até a sua morte e a família quis vender a fazenda, que foi o único bem que restou. Então ele tinha que deixar tudo e botar a tropa de novo na estrada, mas quando estava prá ir embora sonhou com o coronel lhe dizendo onde estava o ouro que ele guardara em vida, e segundo seu Tomás: _Não é que estava ali mesmo, no lugar certinho que a alma do coroné dissera?
E assim ele comprou a fazenda, ali viveu, casou-se ficou viúvo e casou-se de novo com a tia Poli, irmã da minha mãe, e quando ele morreu e tia Poli tomou conta de tudo.
Isso é o que garante seu Tomas, porque Tia Poli nunca confirmou nada. Fica sempre calada e não gosta quando ele contava essa historia. Mas todo mundo respeita o velho Tomás, afinal ele nunca abandonou a Tia Poli e tomou a frente de tudo enquanto pôde e faz questão disso até hoje, é respeitado por todos.
Ás nove horas, segundo o horário da lua, todos iam dormir, e seu Tomás ficava fechando as portas e apagando os candeeiros, ouvíamos seus passos e adormecíamos com os sons dos seus suspiros e gemidos. Às vezes ecoava um canto uníssono pelo nariz, que trazia uma canção triste lá das suas raízes africanas, e todos adormeciam um sono de retorno a um passado que nunca mais retornará. Tenho, até hoje a impressão, que ele cantarolava no propósito de nos embalar ao passado mesmo, para que tivéssemos de fato a certeza de que aquelas terras eram deles mesmos, de todos os negros vindos da África que construíram todas as casas e plantações que ali existiam. Era uma canção triste, mas senhorial.

: http://docs.google.com/Doc?id=dfr6xks3_1hd2tgsdj

Read more...

EU SOU, VERDADE, CAMINHO, E TRANSFOMAÇÃO

Sou o vento,

Solto e indiscreto a bailar

És o pássaro

Um pássaro medroso com medo de voar

Sou o pensamento

Que flui e flui para buscar

És a ciência

Que fragmenta o pensamento na sede de verificar

Sou a essência,

Sem forma, livre e sem dor

És a aparência

Estagnada no pragmatismo da cor

Sou o tempo

Sem começo e sem finalizar

És o relógio

Que gira em meio dia sem espaço pra pensar

Sou a liberdade,

E fluo para o ilmitado

És escravo

Aprisionado nos laços do moralismo incauto

Sou a coisa

Que afaga o teu âmago, mexe com tuas entranhas

És o sono

Que insensível se acomoda em fingimentos e manhas

Sou a voz te profeciando, em cada canto a ecoar

És o medo

E nada ouve para não mudar.

Read more...

sábado, 24 de janeiro de 2009

IPIAÚ: HISTORIA PROSAS E VERSOS




IPIAÚ

Cidade do sul da Bahia
78 anos de emancipação política.
Fundada por invasores gringos e brasileiros
e com as patentes de coronéis, tornaram-se donos
e emanciparam-na e governaram-na até a coroação da vassoura de bruxa
que derrubou o poder que a produção do cacau lhes assegurava.
Ipiaú hoje é uma cidade pobre, mas livre

Lurdinha Bezerra

Read more...

Anseios

Anseios

De Lurdinha Bezerra


Quero ser feliz um dia
Quero amor e muita vida
Quero um mundo belo e puro
Quero tudo e muito mais ainda
Quero ver o mendigo rico
Quero ver o rico ter paz
Quero ver o viciado sadio
Quero ver o rebelde cansar
Quero ver os políticos se unirem
Quero ver o selvagem amar
Quero ver todas as portas se abrirem...
Quero um industrial satisfeito
Uma cuca sem ter defeitos
E toda essa gente sorrir
Um namorado sem brigas
Mil beijos sem uma intriga
Um grande amor sem falir
Um ferimento sem arder
O inválido sem se sentir
A juventude sem corromper
Quero ser feliz
Quero isso e muito mais
Quero amar, quero viver,
Quero tudo e quero paz...
Quero não sentir a saudade
Quero amar sem sofrer
Quero ver ninguém com maldade
Quero ver o cego ver
Quero aproveitar todo o tempo
Para amar segundo por segundo
E reviver a mocidade
Ver tudo, tudo colorido.
A natureza sem cinzas
Sem sentir nada perdido.
Quero ser feliz...
Quero isso e muito mais
Quero amar quero viver
Quero tudo e quero paz

Lubezerra

Read more...

Aos meus amigos!

As coisas que mais desejo

Maravilhas estão contidas

Idolatradas, queridas

Guardam lembranças infindas

O tempo não às desgasta

São para toda uma vida


lubezerra

Read more...

  © Blogger templates The Professional Template by Ourblogtemplates.com 2008

Back to TOP